Escola de Verão Metal em Loulé
Sobre a Escola de Verão Metal em Loulé
O metal não é o material mais sustentável, mas, se for respeitado e utilizado da forma correta, poderá durar por várias gerações.
Como é que o design pode abordar este desafio? O que valorizamos hoje, continuará a ser valorizado dentro de 100 ou 1000 anos? De que forma um saber-fazer de excelência poderá contribuir para esse valor?
Este curso intensivo foi organizado pela Passa ao Futuro em parceria com a Fundação Michelangelo, o Loulé Criativo e a Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva. Foram selecionados 10 estudantes para trabalhar com 6 artesãos. 2 dias em Lisboa a experienciar 3 técnicas de fundição, metalurgia e estanho. 3 dias em Loulé dedicados à cinzelagem, filigrana e caldeiraria. A primeira semana foi de formação e na segunda cada estudante esteve dedicado a uma técnica.
O desafio final colocado ao grupo foi a criação de um conjunto de mesa que seja um estímulo à interação. Uma coleção de objetos emocionais que liguem as pessoas, com uma faceta lúdica que toque a consciência e a percepção humanas. A longevidade destes objetos atinge-se assim pelo instigar das relações humanas, o que leva a que estes ganhem lugar na memória e sejam passados de geração em geração como verdadeiros tesouros.
Candle (Vela), 2021
Cobre martelado, latão cinzelado, filigrana de prata em latão"
O Candle é a peça central desta coleção metálica da Mesa Falante. Pensado para criar diferentes ambientes à mesa através da manipulação das peças curvas, estas, juntamente com a vela, permitem uma interação aberta com a luz, a sombra e os reflexos, todos compostos pelos utilizadores. De forma delicada, este projeto navegou pelas técnicas praticadas durante a escola de verão: filigrana, cobre martelado e cinzelagem, ultrapassando os limites dentro destas artes.
Artesãs e artesãos: Beatriz Canha • Maria da Conceição da Silva Moreira • Analide do Carmo • Jürgen Cramer • Luis Filipe Moreira da Silva
Estudantes: Bartosz Brylewski • Francesca Calicchia • Ana Margarida Lapa • Hiago Teixeira
Senses (Sentidos), 2021
Cobre martelado, latão cinzelado e filigrana de latão
Lembras-te do teu último encontro? Como foi a comunicação? "Senses" é um conjunto de cinco varinhas diferentes, não apenas para comer, mas principalmente para pequenas seduções. Cada varinha é para um sentido diferente – visão, audição, tato, olfato e paladar. Estas ferramentas são um bom início para uma conversa ou uma forma divertida de começar um jogo.
Às vezes, as palavras não são necessárias para comunicar. Ouve o som do pequeno sino dentro de uma das flores da varinha e sorri. Oferece a varinha ao teu parceiro de encontro ou toca-a junto ao seu ouvido e ri. Vê o mundo através de uma lente de renda e descobre a beleza e a magia que o rodeiam. Deixa os milagres acontecerem.
Artesãs e artesãos: Beatriz Canha, Maria da Conceição da Silva Moreira, Analide do Carmo
Estudante: Liva Graubina
Um beijo (One kiss), 2021
Cobre forjado, latão, filigrana de prata
Como criamos espaço para uma conexão genuína? Num mundo que cada vez mais nos empurra para a individualidade, enquanto nos normaliza constantemente, a ponto de nos tornarmos ainda mais alheios aos nossos ritmos naturais, O Beijo propõe um ato ordinário de resistência. Um ato que nos convida a desenvolver e cultivar maior consciência — de nós próprios, do outro. Um ato que nos força a questionar e rever criticamente aquilo que nos é apresentado como verdade. O Beijo só pode ser ativado através de ações coordenadas e concertadas, sendo um suave lembrete da importância da interdependência. Participa-se numa performance cativante e encontra-se a sua unidade (um sentido de completude) junto do outro.
Artesãs e Artesãos: Maria da Conceição da Silva Moreira, Analide do Carmo
Estudantes: Sylvia Berté, Gabin Verboud
Radost, 2021
Cobre martelado e cinzelado, filigrana de prata
Este objeto é uma combinação e interseção de diferentes técnicas, materiais e suas propriedades, diferentes contrastes, emoções, interpretações e desafios. É o resultado da exploração e do jogo com as propriedades do cobre, levando-o ao limite sem medo da potencial destruição. O design trabalha com a perceção de diferentes contrastes: simples e complexo, rugoso e liso, bruto e delicado, resistente e frágil, sólido e perfurado, juntamente com gradientes de textura como transições, combinando três técnicas diferentes: martelagem, cinzelagem e filigrana. A forma principal da taça representa o fluxo emocional de Silvia enquanto trabalhava o cobre, uma fusão de emoção com material. Para o toque final do design, os defeitos que surgiram durante a martelagem foram reparados numa reinterpretação da técnica japonesa Kintsugi, onde, em vez de utilizar laca polvilhada ou misturada com pó de ouro, a filigrana de prata repara delicadamente o cobre.
Artesãs e artesãos: Beatriz Canha, Maria da Conceição da Silva Moreira, Analide do Carmo, Luis Filipe Moreira da Silva
Estudante: Silvia Gálová
Jim, 2021
Cobre martelado e cinzelado, latão
No centro da mesa, JIM espera nobremente a mais pequena migalha que caia no seu refúgio. Das paredes exteriores desta toca surgem alguns amuse-bouches ou as consequências de uma alquimia ainda desconhecida.
O aspeto orgânico deixa de estar em questão, mas ainda temos de definir a sua natureza. Será casca ou pele a crescer a partir destas texturas bolhosas, e serão aquelas folhas ou línguas, a definir através do gesto e da fantasia?
O conjunto pode ser desmontado desta forma, permitindo que os convidados agarrem e guardem folhas/línguas consigo.
Artesãs e artesãos: Beatriz Canha, Analide do Carmo, José Luis
Estudante: Pierre Giraud
Yarost’, 2021
Cobre martelado e cinzelado
O conceito desta peça origina-se na ferramenta básica de cinzelagem, que combina um pedestal de madeira, metade de uma pedra natural esférica, coberta com uma massa especial para fixar o objeto a ser cinzelado. A fascinação de Petya surgiu à primeira vista, ao entrar no estúdio de cinzelagem: ela sentiu a alma e a magia do trabalho artesanal, sem qualquer ferramenta ou equipamento contemporâneo. Ela considera esta peça um memorial em honra deste trabalho artesanal, em homenagem a todos aqueles que continuam a praticar esta arte valiosa e respeitosa ao longo dos séculos, com a ideia geral de preservar tradições e transmiti-las. Petya quer que sintamos todas as dificuldades, obstáculos, sabedoria e conhecimento que acompanharam toda a aventura. O conjunto de cinzelagem não pode ser funcional sem todos os seus componentes; estaria desequilibrado, como tudo à nossa volta. Como sempre, a solução está escondida num gesto minimalista e simples.
Artesãs e artesãos: Beatriz Canha, Analide do Carmo, Jürgen Cramer
Estudante: Petya Taneva
Artesãos e Artesãs
Beatriz Canha – Cinzelagem
Ivo Ferreira – Trabalhos em Estanho
Analide do Carmo – Trabalhos em Cobre
Jürgen Cramer – Trabalhos em Cobre
Conceição Neves – Filigrana
Estudantes
Ana Margarida Lapa, Portugal
Bartosz Brylewski, Polónia
Francesca Calicchia, Itália
Gabin Verboud, Bélgica
Hiago Teixeira, Brasil
Liva Graubina, Letónia
Pierre Giraud, França
Petya Taneva, Bulgária
Silvia Gálová, Eslováquia
Sylvia Berté, Espanha
Parceiros
The Michelangelo Foundation for Creativity and Craftsmanship
Câmara Municipal de Loulé
FRESS – Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva
Passa Ao Futuro
Anfitrião
Loulé Criativo
Mentores de Design
Fatima Durkee – Passa Ao Futuro
Henrique Ralheta – Loulé Criativo
Orador Convidado
Sam Baron, designer
Textos
Passa ao Futuro
Organização:
Passa ao Futuro
Fotografia:
©JorgeGraça ©Michelangelo Foundation