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Escola de Verão Metal em Loulé
RESIDÊNCIA CRIATIVA

Escola de Verão Metal em Loulé

Julho 2021

Sobre a Escola de Verão Metal em Loulé

O metal não é o material mais sustentável, mas, se for respeitado e utilizado da forma correta, poderá durar por várias gerações.

Como é que o design pode abordar este desafio? O que valorizamos hoje, continuará a ser valorizado dentro de 100 ou 1000 anos? De que forma um saber-fazer de excelência poderá contribuir para esse valor?

Este curso intensivo foi organizado pela Passa ao Futuro em parceria com a Fundação Michelangelo, o Loulé Criativo e a Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva. Foram selecionados 10 estudantes para trabalhar com 6 artesãos. 2 dias em Lisboa a experienciar 3 técnicas de fundição, metalurgia e estanho. 3 dias em Loulé dedicados à cinzelagem, filigrana e caldeiraria. A primeira semana foi de formação e na segunda cada estudante esteve dedicado a uma técnica.

O desafio final colocado ao grupo foi a criação de um conjunto de mesa que seja um estímulo à interação. Uma coleção de objetos emocionais que liguem as pessoas, com uma faceta lúdica que toque a consciência e a percepção humanas. A longevidade destes objetos atinge-se assim pelo instigar das relações humanas, o que leva a que estes ganhem lugar na memória e sejam passados de geração em geração como verdadeiros tesouros.

Candle (Vela), 2021

Cobre martelado, latão cinzelado, filigrana de prata em latão"

O Candle é a peça central desta coleção metálica da Mesa Falante. Pensado para criar diferentes ambientes à mesa através da manipulação das peças curvas, estas, juntamente com a vela, permitem uma interação aberta com a luz, a sombra e os reflexos, todos compostos pelos utilizadores. De forma delicada, este projeto navegou pelas técnicas praticadas durante a escola de verão: filigrana, cobre martelado e cinzelagem, ultrapassando os limites dentro destas artes.

 

Artesãs e artesãos: Beatriz Canha • Maria da Conceição da Silva Moreira • Analide do Carmo • Jürgen Cramer • Luis Filipe Moreira da Silva

Estudantes: Bartosz Brylewski • Francesca Calicchia • Ana Margarida Lapa • Hiago Teixeira

Senses (Sentidos), 2021

Cobre martelado, latão cinzelado e filigrana de latão

Lembras-te do teu último encontro? Como foi a comunicação? "Senses" é um conjunto de cinco varinhas diferentes, não apenas para comer, mas principalmente para pequenas seduções. Cada varinha é para um sentido diferente – visão, audição, tato, olfato e paladar. Estas ferramentas são um bom início para uma conversa ou uma forma divertida de começar um jogo.

Às vezes, as palavras não são necessárias para comunicar. Ouve o som do pequeno sino dentro de uma das flores da varinha e sorri. Oferece a varinha ao teu parceiro de encontro ou toca-a junto ao seu ouvido e ri. Vê o mundo através de uma lente de renda e descobre a beleza e a magia que o rodeiam. Deixa os milagres acontecerem.

 

Artesãs e artesãos: Beatriz Canha, Maria da Conceição da Silva Moreira, Analide do Carmo

Estudante: Liva Graubina

Um beijo (One kiss), 2021

Cobre forjado, latão, filigrana de prata

Como criamos espaço para uma conexão genuína? Num mundo que cada vez mais nos empurra para a individualidade, enquanto nos normaliza constantemente, a ponto de nos tornarmos ainda mais alheios aos nossos ritmos naturais, O Beijo propõe um ato ordinário de resistência. Um ato que nos convida a desenvolver e cultivar maior consciência — de nós próprios, do outro. Um ato que nos força a questionar e rever criticamente aquilo que nos é apresentado como verdade. O Beijo só pode ser ativado através de ações coordenadas e concertadas, sendo um suave lembrete da importância da interdependência. Participa-se numa performance cativante e encontra-se a sua unidade (um sentido de completude) junto do outro.

 

Artesãs e Artesãos: Maria da Conceição da Silva Moreira,  Analide do Carmo

Estudantes: Sylvia Berté, Gabin Verboud

Radost, 2021

Cobre martelado e cinzelado, filigrana de prata

Este objeto é uma combinação e interseção de diferentes técnicas, materiais e suas propriedades, diferentes contrastes, emoções, interpretações e desafios. É o resultado da exploração e do jogo com as propriedades do cobre, levando-o ao limite sem medo da potencial destruição. O design trabalha com a perceção de diferentes contrastes: simples e complexo, rugoso e liso, bruto e delicado, resistente e frágil, sólido e perfurado, juntamente com gradientes de textura como transições, combinando três técnicas diferentes: martelagem, cinzelagem e filigrana. A forma principal da taça representa o fluxo emocional de Silvia enquanto trabalhava o cobre, uma fusão de emoção com material. Para o toque final do design, os defeitos que surgiram durante a martelagem foram reparados numa reinterpretação da técnica japonesa Kintsugi, onde, em vez de utilizar laca polvilhada ou misturada com pó de ouro, a filigrana de prata repara delicadamente o cobre. 

 

Artesãs e artesãos: Beatriz Canha, Maria da Conceição da Silva Moreira, Analide do Carmo, Luis Filipe Moreira da Silva

Estudante: Silvia Gálová

Jim, 2021

Cobre martelado e cinzelado, latão

No centro da mesa, JIM espera nobremente a mais pequena migalha que caia no seu refúgio. Das paredes exteriores desta toca surgem alguns amuse-bouches ou as consequências de uma alquimia ainda desconhecida.

O aspeto orgânico deixa de estar em questão, mas ainda temos de definir a sua natureza. Será casca ou pele a crescer a partir destas texturas bolhosas, e serão aquelas folhas ou línguas, a definir através do gesto e da fantasia?

O conjunto pode ser desmontado desta forma, permitindo que os convidados agarrem e guardem folhas/línguas consigo.

 

Artesãs e artesãos: Beatriz Canha, Analide do Carmo, José Luis

Estudante: Pierre Giraud

Yarost’, 2021

Cobre martelado e cinzelado

O conceito desta peça origina-se na ferramenta básica de cinzelagem, que combina um pedestal de madeira, metade de uma pedra natural esférica, coberta com uma massa especial para fixar o objeto a ser cinzelado. A fascinação de Petya surgiu à primeira vista, ao entrar no estúdio de cinzelagem: ela sentiu a alma e a magia do trabalho artesanal, sem qualquer ferramenta ou equipamento contemporâneo. Ela considera esta peça um memorial em honra deste trabalho artesanal, em homenagem a todos aqueles que continuam a praticar esta arte valiosa e respeitosa ao longo dos séculos, com a ideia geral de preservar tradições e transmiti-las. Petya quer que sintamos todas as dificuldades, obstáculos, sabedoria e conhecimento que acompanharam toda a aventura. O conjunto de cinzelagem não pode ser funcional sem todos os seus componentes; estaria desequilibrado, como tudo à nossa volta. Como sempre, a solução está escondida num gesto minimalista e simples. 

 

Artesãs e artesãos: Beatriz Canha, Analide do Carmo, Jürgen Cramer

Estudante: Petya Taneva

Artesãos e Artesãs

Beatriz Canha – Cinzelagem
Ivo Ferreira – Trabalhos em Estanho
Analide do Carmo – Trabalhos em Cobre

Jürgen Cramer – Trabalhos em Cobre

Conceição Neves – Filigrana

Estudantes

Ana Margarida Lapa, Portugal
Bartosz Brylewski, Polónia
Francesca Calicchia, Itália

Gabin Verboud, Bélgica

Hiago Teixeira, Brasil

Liva Graubina, Letónia

Pierre Giraud, França

Petya Taneva, Bulgária

Silvia Gálová, Eslováquia

Sylvia Berté, Espanha

Parceiros

The Michelangelo Foundation for Creativity and Craftsmanship
Câmara Municipal de Loulé

FRESS – Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva

Passa Ao Futuro

Anfitrião

Loulé Criativo

Mentores de Design

Fatima Durkee – Passa Ao Futuro
Henrique Ralheta – Loulé Criativo

Orador Convidado

Sam Baron, designer

Textos

Passa ao Futuro

Organização:

Passa ao Futuro

Fotografia:

©JorgeGraça ©Michelangelo Foundation