Margarida Cortez nasceu em Loulé, na rua onde hoje funciona a Casa da Empreita. Aos 12 anos aprendeu a técnica da malha de palma com a madrasta e começou a contribuir para o orçamento familiar. A malha de palma é uma técnica tradicional de trabalhar as folhas da palmeira-anã, tendo por base a baracinha — um pequeno cordel de palma — que resulta numa espécie de rede. Nessa altura, fazia sobretudo sacos e malas, encomendados por uma comerciante de Boliqueime que os enviava para a Venezuela.
Aos 19 anos casou e emigrou para França, onde viveu durante 45 anos, na região de Paris. Trabalhou numa empresa discográfica de renome e teve a oportunidade de conhecer o mundo. Apesar da distância, nunca deixou de manter o contacto com as suas raízes: nas férias em Portugal, gostava de fazer algumas peças para não esquecer o que aprendera em menina.
Após a reforma, regressou ao seu país e voltou a dedicar-se aos trabalhos em palma, como forma de ocupar o tempo e, sobretudo, de não deixar morrer o ofício.
Integra a Casa da Empreita desde a sua abertura, onde se dedica à criação de candeeiros, capachos, cestas, naperons e muitas outras peças que unem tradição e criatividade. Paralelamente, partilha o seu saber através de workshops, contando com a ajuda e o apoio do marido, Jorge Ferreira, mestre na técnica da baracinha, com quem partilha o gosto pelo artesanato e pela preservação do saber tradicional algarvio.