Inácia Coelho

Natural das Águas Frias, freguesia de Alte, Inácia Coelho aprendeu a arte da empreita de palma por iniciativa própria, já depois dos 30 anos, com as vizinhas do Monte Seco, onde viveu grande parte da vida adulta. Combina a tradição da empreita com a costura à máquina, técnica que introduziu de forma pioneira. Integra o grupo original de artesãs que deram início à Casa da Empreita .

Natural das Águas Frias, freguesia de Alte, Inácia Coelho nasceu em 1933. Viveu grande parte da sua vida no Monte Seco, localidade do seu marido, onde a empreita de palma sempre foi uma prática comum entre as mulheres.

Ao contrário das suas vizinhas, que aprenderam com mães e avós, Inácia iniciou-se nesta arte já depois dos 30 anos, observando atentamente quem a rodeava. Começou por fazer bandejas em palma com estrutura de cana e peças em malha.

 

Um dia, em Loulé, encantou-se com um conjunto de pochetes em empreita expostas numa loja. Inspirada, regressou a casa e produziu peças semelhantes, inovando ao coser a empreita à máquina — uma técnica pouco utilizada na altura. O comerciante que as viu comprou-as e encomendou mais, dando início ao seu percurso como artesã.

 

Ao longo dos anos, passou a produzir sacos, carteiras, malas e carpetes, recorrendo a quem fizesse a trança e dedicando-se à costura das peças. A sua técnica preferida é a empreita repassada de cinco ou sete ramais, particularmente adequada para a costura à máquina. Mais tarde, começou também a aplicar tecidos nas suas criações, o que trouxe uma nova expressão ao seu trabalho.

 

Orgulha-se de ter visto peças suas em Lisboa, sinal de que o seu trabalho ultrapassou as fronteiras do Algarve. Atualmente, integra a Casa da Empreita e sente satisfação por ver a arte da palma novamente valorizada e reconhecida.