Natural do sítio dos Palmeiros, na freguesia de Salir, Maria Cremilde de Sousa Lourenço nasceu em 1941 e guarda em si a sabedoria e a simplicidade das gentes do interior algarvio.
Filha e neta de sapateiros, quando terminou a 4.ª classe teve de escolher entre a costura e o trabalho do campo. Por conselho da mãe, dedicou-se à costura, ofício que exerceu durante cerca de trinta anos. Desde pequena, porém, a arte da empreita fascinava-a, influenciada pela visão da mãe e da avó — mulheres que transformavam a palma em objetos indispensáveis à vida doméstica e agrícola, numa época em que o plástico ainda não existia.
Em 1990, com 49 anos, e numa altura em que o pronto-a-vestir levou ao declínio da costura tradicional, Cremilde concretizou um sonho antigo ao frequentar um curso de empreita de palma e esparto promovido pelo IEFP, em Salir. Desde então, dedica-se inteiramente a esta arte, provando que nunca é tarde para aprender e seguir uma paixão.
Reconhecida pela perfeição e inovação das suas peças, participou em inúmeras feiras e certames e integra actualmente o colectivo de artesãs da Casa da Empreita, em Loulé. Une o talento pela costura ao domínio da palma, criando peças únicas que já lhe valeram vários prémios do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).