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Domingos Gonçalves (Olaria Xavier)

Domingos Gonçalves (Olaria Xavier)

Natural do norte de Portugal, Domingos Gonçalves, mais conhecido por Xavier, mudou-se para o Algarve aos 16 anos e iniciou-se na olaria na oficina do sogro, em Loulé. Após uma pausa, regressou com o apoio do Loulé Criativo e hoje dedica-se sobretudo às tradicionais chaminés algarvias, que reinventa como peças únicas. Conta agora com a colaboração do filho António, assegurando a continuidade da arte oleira na região.

Domingos Gonçalves, mais conhecido por Xavier, nasceu no norte de Portugal, mas mudou-se para o Algarve aos 16 anos. Começou por trabalhar como carpinteiro em Albufeira, mas foi através da oficina de olaria do sogro, José João Velhote, em Loulé, que entrou no mundo do barro – um espaço com mais de 100 anos de tradição familiar ligada à cerâmica.

Durante décadas, Xavier produziu cântaros, recipientes para azeite e azeitonas, vasos e, sobretudo, alcatruzes – armadilhas de barro usadas pelos pescadores do Algarve na pesca do polvo. Com a chegada do plástico, a procura caiu e a olaria entrou em declínio, levando-o a dedicar-se a outras atividades. Ainda assim, nunca deixou de manter contacto com a arte do barro, ensinando pontualmente visitantes curiosos.

Há cerca de dez anos, com o apoio do projeto Loulé Criativo, a antiga olaria de José João Velhote foi recuperada e Xavier regressou ao ofício. Hoje, dedica-se sobretudo à preservação e reinvenção das chaminés algarvias, outrora símbolo de estatuto e identidade da região. Inspirando-se nas formas tradicionais, cria chaminés personalizadas e únicas, que hoje servem tanto de elemento decorativo como de candeeiros para espaços exteriores.

Na sua oficina, continuam também a nascer potes, tigelas, pratos e vasos, além de troféus originais em forma de chaminé, criados para várias competições desportivas.

 

Atualmente, Xavier partilha este caminho com o filho António, músico de formação, que abraçou o barro e já conduz oficinas para transmitir o saber aprendido com o pai. Juntos, garantem que a tradição das chaminés algarvias se mantém viva, reinventada para o presente e para o futuro.