RESIDÊNCIA CRIATIVA

Designers de Loulé

Setembro 2016

Residência criativa “Designers de Loulé” promove o diálogo com os saberes tradicionais

Três designers nascidos em Loulé retornam com um novo olhar sobre as suas origens, promovendo o encontro com artesãos e o cruzamento entre os universos da tradição e da inovação, para a criação de produtos com alma louletana. Este foi o desafio lançado pela Residência “Designers de Loulé” que aconteceu de 10 a 24 de setembro no âmbito da iniciativa “Loulé Criativo”.

Na senda do que o município de Loulé tem vindo a fazer em torno da valorização do seu património, artes e ofícios, a residência surge como uma oportunidade para promover o diálogo entre os saberes tradicionais e um pensamento mais conceptual e contemporâneo sobre os mesmos. A terra e as suas tradições foram o laboratório para a criação, reflexão e partilha que se proporcionou em estreito envolvimento com a comunidade local.

Os nove produtos resultantes da residência entraram  posteriormente em fase de desenvolvimento e tiveram em exposição a partir de Dezembro. O objetivo foi que os produtos valorizem e dinamizem a produção artesanal do concelho, projetando-a para um novo patamar, onde haja uma maior oportunidade para a sua continuidade.

A residência irá envolveu nove artesãos das artes do metal, empreita, cestaria, cabedal, madeira, lã, olaria, uma unidade de produção de doçaria tradicional e três designers de produto naturais de Loulé, mas que têm desenvolvido as suas carreiras noutros locais do país e do mundo. 

ARTESÃOS

Analide Carmo e Francisco Dias (caldeireiros)
Cremilde Sousa (artesã da empreita)
Fábrica da Amêndoa (doçaria regional)
Fernando Henriques (artesão da madeira)
Fernando Zuninga (artesão do cabedal)
José Amendoeira (cesteiro)
Manoli Ortiz de La Torre (artesã da lã)
Marco Cristovam (ferreiro)
Odete Rocha (artesã da empreita)
Pedro Piedade (oleiro)

EMPREITA À HORA

Pela causa do trabalho manufaturado

Porque o design de produtos procura ser consequente do ponto vista económico e um veículo de justiça social, cria-se aqui uma linha de peças, onde se colocam em perspetiva as questões de subvalorização do trabalho artesanal. A partir da observação da técnica, em que antes de se dar forma aos objetos se constrói uma longa trança, medida em braças, trocamos estas braças por horas de trabalho. Os produtos são então vendidos à hora, numa clara chamada de atenção para a subvalorização desta arte.

Quanto deverá custar um produto que tem em si 10 horas de trabalho especializado, carregado de história e identidade? 

TAÇAS DE EMPREITA À HORA

Taça de 2 horas/ Taça de 5 horas

Um simples rolo de empreita de palma, através de um processo particular de união das voltas, permite a cada pessoa dar a forma à taça, mais ou menos concava, mais ou menos escultórica. Os diferentes diâmetros traduzem-se em horas de trabalho da empreiteira.

Materiais: palma
Henrique Ralheta (design)
Odete Dias (empreiteira)
Júlia Laurência (costureira)

CANDEEIROS DE EMPREITA À HORA

Candeeiro de tecto de 1hora, 4 horas e 15 horas

Candeeiros construídos a partir de rolos de empreita de palma, cuja flexibilidade permite dar a forma que se quiser e controlar o efeito da luz. Os diferentes diâmetros traduzem-se em horas de trabalho da empreiteira.

Materiais: palma
Henrique Ralheta (design)
Odete Dias (empreiteira) e Júlia Laurência (costureira)

CANDEEIROS DE EMPREITA À HORA

Candeeiro de mesa de 2 horas e de 4 horas

Candeeiros construídos a partir de rolos de empreita de palma, cuja flexibilidade permite dar a forma que se quiser e controlar o efeito
da luz. Os diferentes diâmetros traduzem-se em horas de trabalho da empreiteira.

Materiais: palma
Henrique Ralheta (design)
Odete Dias (empreiteira) e Júlia Laurência (costureira)

BENGALEIROS DE EMPREITA

A trança da empreita de palma é enrolada e cosida de forma atípica sobre um suporte de madeira de oliveira de forma a formar uma espiral sólida e consistente.

Materiais: palma e madeira de oliveira
Henrique Ralheta (design)
Odete Dias (empreiteira), Fernando Martins (artesão da madeira) e Júlia Laurência (costureira)

TAÇAS DE BARRO COM MALHA

Partindo das antigas técnicas em que a malha de palma é cosida a um suporte de outro material pré furado e juntando a tradição do barro trabalhado das chami­nés, criam-se uma série de taças para diferentes utilizações.

Materiais: Barro e palma
Henrique Ralheta (design)
Pedro Piedade (oleiro) e Margarida Cortez (Empreiteira)

CANDEEIRO DE MALHA E CASQUILHO DE BARRO

A partir de um casquilho de barro, onde os componentes elétricos estão alojados, é tecida a malha de palma, ao sabor da mão de cada artesã da empreita, marcando desta forma a identidade das peças produzidas.

Materiais: Barro e palma Henrique Ralheta (design)
Pedro Piedade (oleiro),
Cremilde de Sousa (empreiteira) e Margarida Cortez (empreiteira)

CANDEEIRO DE MESA DE MADEIRA E COBRE

Candeeiro constituído por uma campânula de cobre e uma base de madeira de oliveira, compondo uma forma escultórica que exalta as qualidades dos materiais. O interior do candeeiro apresenta-se polido, acentuando, através do reflexo da luz, o brilho do cobre.

Materiais: Cobre e madeira
Vanessa Domingues (design)
Analide Carmo (caldeireiro) e
Fernando Martins (artesão da madeira)

CANDEEIRO DE TECTO EM COBRE

A chapa de cobre apresenta-se aqui na sua forma martelada e polida ajudando a resplandecer a luz. A parte exterior mantém os matizados que surgem naturalmente do processo de aquecimento e batimento utilizado na moldagem do cobre. A madeira de oliveira serve de encaixe para o sistema elétrico.

Materiais: Cobre e madeira
Vanessa Domingues (design)
Analide Carmo (caldeireiro) e
Fernando Martins (artesão da madeira)

CABIDE DE PAREDE

As tranças de empreita e os tocos de madeira funcionam como um sistema simples de suporte para livros e revistas.


Materiais: Palma e madeira

Vanessa Domingues (design)
Odete Dias (empreiteira)
Fernando Martins (artesão da madeira)

PRATELEIRA DE MADEIRA

A madeira de oliveira assinala nos anéis e veios o lento crescimento de uma árvore de enorme importância para a cultura e economia mediterrânica. Uma trança de empreita reforçada feita com a palma da região, permite suspender a prateleira na parede.

Materiais: madeira e palma
Vanessa Domingues (design)
Fernando Martins (artesão da madeira) e Odete Dias (empreita)

POTES

Alguns contentores do período islâmico que fazem parte do acervo arqueológico do município de Loulé, têm como elemento característico o facto de as tampas poderem servir várias peças, não formando par. Estes potes inspiram-se nesse caráter versátil e transportam algumas das suas formas para os nossos tempos. As pegas, também elas, configuram diferentes geometrias, tais como os topos das chaminés algarvias.

Materiais: Barro, cobre e madeira Hugo da Silva (design)
Pedro Piedade (oleiro),
Analide Carmo (caldeireiro) e Fernando Martins (artesão da madeira)

CASTIÇAIS DE COBRE

Loulé é terra de caldeireiros, mestres na arte de moldar o cobre e o latão. Aqui eram produzidas grande parte das cataplanas que abasteciam o comércio tradicional da região e país. Estes castiçais recuperam a técnica e a forma da cataplana, um utensílio de cozinha que consiste em duas peças côncavas, hermeticamente fechadas para induzir uma cozedura lenta preservando desse modo os sabores dos ingredientes.

Materiais: Cobre
Hugo da Silva (design)
Analide Carmo (caldeireiro) e
Francisco Dias (artesão do metal)

BOLSOS DE PAREDE

Da empreita, a ancestral arte de entrançar a palma (planta autóctone do Algarve) nasce este conjunto de bolsos que se fixam à parede através de ganchos de cobre inspirados nas asas da cataplana algarvia. A abertura dos bolsos para encaixar os ganchos faz-se interrompendo a costura das tranças nessa área.

Materiais: Palma e Cobre
Hugo da Silva (design)
Odete Dias (empreiteira) e
Francisco Dias (artesão do metal)

BOLINHOS MOSAICO

Os designers reinterpretaram o doce fino algar­vio, reduzindo-o a uma extrema simplicidade, apresentando-se como um jogo de amostras das cores da região e suas possíveis relações, numa espécie painel de mosaicos que fala da nossa identidade.

Materiais: Massa de amêndoa e pigmentos alimentares Henrique Ralheta, Hugo da Silva e
Vanessa Domingues (design)

Datas

De 10 a 24 de setembro de 2016 (residência e programa de eventos)

Local

Edifício do Atlético (rua 5 de outubro nº 36) e oficinas dos artesãos

Participantes

Analide Carmo e Francisco Dias (caldeireiros)
Cremilde Sousa (artesã da empreita)
Fábrica da Amêndoa (doçaria regional)
Fernando Henriques (artesão da madeira)
Fernando Zuninga (artesão do cabedal)
Henrique Ralheta (designer)
Hugo Silva (designer)
José Amendoeira (cesteiro)
Manoli Ortiz de La Torre (artesã da lã)
Marco Cristovam (ferreiro)
Odete Rocha (artesã da empreita)
Pedro Piedade (oleiro)
Vanessa Domingos (designer)

Organização

Curadoria: Henrique Ralheta
Apoio à organização: Proactivetur/Projecto TASA
Promotor: Câmara Municipal de Loulé

Programa

10 de setembro – Conferência “Sobre o futuro das tradições artesanais” – 15.00/ 18.00, Sala da Assembleia – Edifício Duarte Pacheco

12 de setembro –  Tertúlia “Comeres da Terra” – 18.00 /19.30. Moinho Ti casinha, Querença (Porto Nobre). Com a mestre de gastronomia e tradições locais, Jesus Dias.

13 de setembro – Aula a pé “Pelo Loulé Medieval” – 18.00/19.30. Ponto de encontro e conversa final no Claustro do Convento Espírito Santo. Com a arqueóloga Isabel Luzia.

14 de setembro – Aula a pé “Deambulando pela Loulé moderna” – 18.00/19.30. Ponto de encontro e conversa final frente à Ermida Nossa Senhora da Conceição. Com o investigador de história local e regional, Jorge Palma

15 de setembro – Aula a pé “Pelos ecos dos ofícios nas lojas históricas” – 18.00/19.30. Ponto de encontro e conversa final frente à Ermida Nossa Senhora da Conceição. Com a historiadora Luísa Martins e louletanos que amam a sua terra.

16 de Setembro-  Tertúlia “Transformar a Terra” – 18.00 /19.30 – Claustro do Convento Espírito Santo. Com Susana Calado Martins – Barroca, produtos culturais e turísticos

22 de Setembro – Mostra – Apresentação dos novos produtos do Projecto TASA & Conversa “O lugar do artesanato na atualidade” – 18.00/19.30 – Edifício do Atlético (Rua 5 de outubro, nº 36)

24 de setembro – Mostra e aula aberta – Roda de empreita – 10.00 – 16.00 – Cerca do Convento

24 de setembro- Apresentação de resultados da residência – 18.00 – Edifício do Atlético (Rua 5 de outubro, nº 36)

Outubro e Novembro – Produção dos 9 projetos

Dezembro – Exposição dos produtos