RESIDÊNCIA CRIATIVA

Alinhados pela Mesma Lã

Abril - Outubro 2025

Sobre o Alinhados pela Mesma Lã

A residência artística “Alinhados pela Mesma Lã” é uma iniciativa da Câmara Municipal de Loulé / Loulé Criativo que celebra a lã da ovelha churra algarvia — a única raça churra de ovinos autóctone do sul de Portugal.

Com o propósito de valorizar este património natural e cultural, o projeto reuniu artistas e designers num processo criativo que acompanhou a lã desde a tosquia e lavagem, passando pela fiação e feltragem, até à criação de peças únicas.

Ao longo da residência, foram exploradas técnicas tradicionais e contemporâneas, num diálogo entre o saber artesanal e a inovação, revelando novas possibilidades para este material singular e sustentável.

O resultado desta experiência é um conjunto de obras que refletem a identidade, a memória e o território algarvio, unindo tradição, criatividade e sustentabilidade.

A residência contou com curadoria de Vasco Águas e o apoio da Algarchurra – Associação de Criadores de Ovinos da Raça Churra Algarvia e da Paula e Pedro Neves, responsáveis pela vertente formativa dedicada ao ciclo da lã e à fiação.

O projeto culminou numa exposição no Palácio Gama Lobo, em Loulé, onde o público pôde conhecer e experienciar o resultado desta ligação entre arte, natureza e comunidade.

 

 

Alinhados pela Mesma Lã - Video, 2025

André Matos e Vasco Águas

Um registo audiovisual da tosquia e das vozes de dois pastores do Algarve (José Silva e Raul Contreiras) que partilharam o seu saber e a sua relação com a ovelha Churra Algarvia.

Produzido por Vasco Águas

Filmado e montado por ‪André Matos

Duração: 14'14''

Alte, Santa Bárbara de Nexe

2025

 

 

©AndréMatos

As Marcas da Terra, 2025

Rita Martins Pereira

A série reflete múltiplas referências ao território algarvio: as chaminés trabalhadas em losangos, as texturas do esparto e da cana, a irregularidade própria da lã churra e as suas características mechas longas. As peças evocam também a ideia de cicatriz, associadas às marcas deixadas na lã e à memória impressa nos corpos das ovelhas.

Cada tecelagem é um registo material e simbólico da identidade da região, transformando elementos tradicionais em linguagem contemporânea.

Cinco painéis com dimensões variáveis.

Lã churra algarvia, fio de lã laranja, juta, linho, esparto e cana.

Tecelagem manual em tear

©JorgeGraça ©LouléCriativo

Devagar, 2025

Maria Terra

Devagar é um conjunto de dois autómatos e dois painéis que exploram o tempo do fazer como gesto criativo e poético. Através da madeira e da lã churra algarvia — materiais que exigem paciência, escuta e relação com o território —, a obra reflete sobre o ritmo do campo, o tempo invisível do trabalho artesanal e a ligação entre o humano e a matéria. Entre Lisboa e Loulé, Devagar é um regresso à terra da minha família — um reencontro com as origens, com o gesto e com o território —, um exercício de atenção, onde o ato de criar se torna uma forma de
cuidar e de permanecer.

Madeira e lã churra algarvia.

©JorgeGraça

O Ciclo da Lã, 2025

Vasco Águas

Esta instalação mostra as principais fases da
transformação da lã — da tosquia à fiação — destacando os saberes tradicionais associados à ovelha churra algarvia, raça autóctone do Algarve.
Três estruturas para exposição em madeira de pinho com 200 x 124 x 40/50 cm.
Velo de ovelha Churra Algarvia feltrado, lã churra algarvia em diversos estados — natural, lavada, picada e cardada —, picker, cardas manuais, crânio e cornos de ovelha Churra Algarvia, alguidares de barro, frasco de vidro, meadas de lã churra algarvia, roda de fiar, fuso.

©JorgeGraça

Casulo, 2025

Susana Mendez

Esta obra surge como um casulo têxtil, evocando abrigo, transformação e continuidade. Criada a partir da lã da ovelha churra algarvia, valoriza a fibra em todas as suas etapas — desde a mecha em bruto ao fio, fiado manualmente. Tecida manualmente em padrão de favos, ganha volume e textura tridimensional, remetendo para células vivas em expansão. A tonalidade escura da lã, rara nos rebanhos, reforça a singularidade da peça e sublinha a importância da sua preservação.
Mais do que um objeto têxtil, este casulo é um símbolo de memória, identidade e metamorfose, onde tradição e contemporaneidade se entrelaçam.

Dimensões aproximadas: 180 x ø 55 cm Lã da ovelha churra algarvia, outras lãs portuguesas, estrutura de cana.

Tecelagem manual e feltragem.

©JorgeGraça ©LouléCriativo

Corpo Pastoral (Obra Coletiva), 2025

Alinhados pela Mesma Lã

Como um manto tecido em conjunto, esta obra nasce do encontro entre mãos, memórias e paisagem. É um patchwork criativo que guarda os gestos da residência Alinhados pela Mesma Lã, onde cada fragmento é testemunho de escuta, cuidado e ligação profunda à ovelha Churra Algarvia e ao território que a acolhe. Uma cartografia afetiva que não é apenas tecido: é território partilhado, é gesto coletivo, é permanência.

Dimensões aproximadas: 250 x 100 cm.
Lã, lã churra algarvia; tecelagem, feltragem molhada,
costura, bordado e crochê.

©JorgeGraça ©LouléCriativo

Topografia da Sombra, 2025

Rita Teles Garcia

Esta peça tem como origem a pedra do Barrocal Algarvio, matriz que inspira formas e ritmos. Sobre bases de lã churra algarvia, feltrada e bordada com padrões geométricos que reinterpretam as linhas e fraturas da paisagem calcária, erguem-se estruturas em cobre, cuja tonalidade ecoa os tons quentes do Barrocal. O diálogo entre o cobre e o feltro gera um jogo de luz e sombra, sugerindo projeções efémeras, onde a rigidez mineral encontra a suavidade têxtil. Estas esculturas tornam visível a ligação entre território, memória pastoril e gesto artístico contemporâneo.

Oito peças com dimensões variáveis. 
Arame de cobre, lã churra algarvia, lã bordaleira da Serra da Estrela, pedra do Barrocal Algarvio; escultura,
feltragem molhada sólida, feltragem de agulha, bordado.

©JorgeGraça ©LouléCriativo

Peso e Murmúrio, 2025

Cláudia Moreira

O diálogo entre peso e a leveza foi o ponto de partida na conceptualização da obra. O que cai, amarra e prende em contraste com o translúcido, suspenso e o que flutua traduz-se numa relação física próxima entre os cabos e os painéis-véu. A composição habita o espaço. Cria-se uma narrativa entre os diferentes elementos tridimensionais e a luz que os toca.

Dimensões aproximadas: 350 x 200 cm.
Lã churra algarvia; feltragem molhada sólida, teia e
cordão, feltragem de agulha, tinturaria natural de índigo,
bordado e tricô.

©JorgeGraça ©LouléCriativo

A Capa da Churra, 2025

Ana Seromenho

O ponto de partida é a ovelha Churra Algarvia e a sua
cobertura de lã. Pescoço e peito nus, parece trazer uma capa sobre si. Foram estes os gatilhos e a principal inspiração para estas três capas.
Um manifesto de cor, uma imposição de presença.
A Churra Algarvia precisa ser vista. Três capas com dimensões aproximadas de 160 x 70 cm cada.


Tecido manual 100% lã; botões em madeira de
alfarrobeira.

Tinturaria natural, tecelagem e costura.

©JorgeGraça ©LouléCriativo

Cartografia Fragmentada, 2025

Luísa Leão

A peça traça um mapa íntimo e irregular, feito de fios, fragmentos e memórias. Entre a lã churra algarvia em bruto e pedaços de um lençol de família herdado, emerge a presença do têxtil como elo entre gerações. O trabalho revela percursos internos que se inscrevem no gesto e no tempo, onde a matéria se fragmenta para depois recompor-se em formas mais expansivas. Cada camada evoca uma topografia sensível de descobertas, em que o corpo da obra guarda rastros de memória e reinvenção - uma cartografia fragmentada, mas inteira em seu processo de descoberta.


Dimensões aproximadas: 327 x 148 x 9 cm.
Fiação, feltragem, costura, bordado e crochê em lã churra algarvia e lençol de algodão.

©JorgeGraça ©LouléCriativo

Artistas em Residência

Ana Seromenho

Cláudia Moreira

Luísa Leão

Maria Terrra

Rita Martins Pereira

Rita Teles Garcia

Susana Mendez

Educadores e Mediadores do Saber-Fazer Tradicional da Lã

Paula Neves

Pedro Neves

Apoio Técnico e Parceria Estratégica

Agarchurra – Associação de Criadores de Ovinos da Raça Churra Algarvia

Anfitrião

Loulé Criativo

Curadoria e Arquitetura da Exposição

Vasco Águas

Coordenação da residência artística

Marília Lúcio

Joana Afonso Dias