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Artes e Ofícios em Loulé

Artes e Ofícios

Loulé é, desde a Idade Média, terra de artesãos e artífices, sendo já referido na vila medieval de Loulé dos séculos XIV e XV, a existência de sapateiros, carpinteiros, pedreiros, serralheiros, carniceiros, celeiros, albardeiros, oleiros, relojoeiros, confeiteiros, curtidores, tingidores e tecelões de soriano.

<span data-metadata=""><span data-buffer="">A importância das Artes e Ofícios na vida económica da cidade e concelho de Loulé

Em meados do séc. XV seria significativa na cidade e arredores a produção de seiras e capachos de empreita, da qual também se faziam embalagens para os frutos secos, a tecelagem de linhos, os panos de lã ‘da terra’ para vestuário e sacos.

O cenário não terá mudado muito e apesar dos obstáculos com que se deparou ao longo de séculos, desde crises demográficas a picos de desenvolvimento, Loulé manteve a matriz identificativa da sua base social e económica.

Loulé está entre os concelhos do Algarve que, até finais do século XX, apresentavam maior diversidade de artes e ofícios, fruto da sua extensa área territorial e, sobretudo, da sua grande heterogeneidade paisagística, demográfica e económica. Ganhou fama e foi durante largo tempo conhecida como: “terra do artesanato”.

Mais recentemente e até à segunda metade do século XX (década de setenta), o quadro da dinâmica económica e social da vila de Loulé sobrepõe-se nalgumas atividades às suas congéneres algarvias, nomeadamente no que dizia respeito à pequena indústria artesanal do calçado e da correaria, dos frutos secos, da cestaria em palma e esparto, da alfaiataria e costura, do cobre e outras áreas de produção artesanal e respetivo comércio. A vila constituía um polo de atração de vendedores e de compradores de outras localidades da região algarvia, do país e da região da Andaluzia.

A farta oferta de mercadoria, a facilidade de acesso ao comércio e os preços apetecíveis faziam com que Loulé se destacasse na concorrência com vilas e cidades, especialmente com as de maior proximidade (Faro, Tavira, Albufeira).

No início do século XX registava-se a existência de fábricas de fiação, de tecidos de juta e linho, de curtumes, assim como da indústria metalúrgica (ferreiros, caldeireiros e funileiros) e da indústria da cerâmica, dispersos nas ruas mais movimentadas da vila. Nas primeiras décadas do século XX existiriam também três fábricas de tratamento e fabrico de materiais de cortiça, duas fábricas de sabão, uma fábrica de cera, uma fábrica de pirotecnia. Na área alimentar predominavam moagens para fabrico de farinhas, a produção de derivados de lacticínios, a doçaria com base no figo e na amêndoa, alguns lagares de azeite e ainda o fabrico do vinho e das aguardentes (com fábricas situadas nos limites da antiga vila).

Na área do comércio especializado predominavam as lojas de tecidos, chapelarias e correarias, tabacarias, botequins, cortiças, palma e esparto, drogarias, barbearias, madeiras, ourivesarias e relojoarias.

Outros espaços de intensa dinâmica comercial eram as feiras e mercados, especialmente estes últimos, que se desenvolviam em espaços diferenciados da vila, tendo o mercado municipal inaugurado em 1908, funcionando como espaço de convergência desses mercados que antes estavam espalhados nas praças e largos da vila.